Alberto Caeiro é considerado o mestre de todos os heterônimos de Fernando Pessoa.

    Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
    Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade.

    Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada,
    Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
    Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
    O resto é uma espécie de sono que temos,
    Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.

    Alberto Caeiro, 1-10-1917

(Fernando Pessoa)

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O último poema


Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
(Manuel Bandeira)

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Spes Única!




                 Quintino Cunha


Morto, dentro da fria sepultura,
Sem te poder falar?
E tu que me amas, boa criatura,
Indo me visitar...

Banhada de suspiros, de soluços,
Desmaiada, talvez...
Muita vez reclinada, até de bruços,
Na altura dos meus pés;

Pedindo a Deus o meu viver eterno
Junto das glórias suas;
Que me livre das penas do inferno...
E a chorar continuas,

Lembrando nossa vida, a todo instante,
Repassada de dor...
A lembrar-te que fui o teu amante
- O teu único amor!

Mal pensando na horrífica caveira,
Em que me transformei,
Exausto de fadiga, de canseira,
Imaginar não sei...

Para evitar essa hora amargurada,
Esse quadro de dor tão verdadeiro,
Deus há de ser servido, minha amada,
Que tu morras primeiro!...





NOTA: Vale a pena ler sobre Quintino Cunha, é um mundo de informações, principalmente para nós que seremos advogados um dia, sugiro que conhecemos além do bairro. rs. 
                 

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SONETO DO AMOR TOTAL - Vinícius de Moraes


Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.





Graças ao grupo de estudo me apaixonei por Vinícius, apaixonado e intenso, do jeito que eu sou.

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DESENCANTO - Manuel Bandeira

Eu faço versos como quem chora
De desalento, de desencanto
Fecha meu livro se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto

Meu verso é sangue, volúpia ardente
Tristeza esparsa, remorso vão
Dói-me nas veias amargo e quente
Cai gota a gota do coração.

E nesses versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca

Eu faço versos como quem morre.

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Eu deveria estar respeitando a nossa ordem de postagem, mas eu sou o número 16 e acho que vocês vão me perdoar se eu fizer uma postagemzinha né, o blog não nasceu para ser nenhuma ditadura.. ;P Mas para passar inspiração, dividir nossas descobertas, ...

Quero só colocar uma dessas coisas que toca a gente... senti isso, essa semana, com essa música/poesia:

Tempo Perdido

(Legião Urbana)


Todos os dias quando acordo,

Não tenho mais o tempo que passou

Mas tenho muito tempo

Temos todo o tempo do mundo.


Todos os dias antes de dormir,

Lembro e esqueço como foi o dia

"Sempre em frente,

Não temos tempo a perder".


Nosso suor sagrado

É bem mais belo que esse sangue amargo

E tão sério

E selvagem,

selvagem;

selvagem.


Veja o sol dessa manhã tão cinza

A tempestade que chega é da cor dos teus

Olhos castanhos

Então me abraça forte

E diz mais uma vez

Que já estamos distantes de tudo

Temos nosso próprio tempo,

Temos nosso próprio tempo,

Temos nosso próprio tempo.


Não tenho medo do escuro,

Mas deixe as luzes acesas agora,

O que foi escondido é o que se escondeu,

E o que foi prometido,

Ninguém prometeu.


Nem foi tempo perdido;

Somos tão jovens,

tão jovens,

tão jovens.

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