Drummond and José


Pois bem, se vamos falar de Drummond... porque não falar de josé?
mas iai? e agora josé? rsrs

É a partir dessa pespectiva que Drummond desenvolve uma pesquisa interna para perguntas que nem mesmo o seu próprio eu consegue responder.

Até chegar a um outro "eu", "José" - "E agora, José?" ("José"), que se pergunta sobre o significado da própria existência e do mundo. Mas este "José" não é outro senão o poeta. A personagem funciona, no poema, como o desdobramento da personalidade poética do autor, tanto quanto nas demais situações apontadas, atrás de quem o poeta se esconde e se desvenda.

O “não-ser” se faz presente neste poema por meio do modo verbal subjuntivo que torna a ação imprecisa:

“...Se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...”

Para quem lembra do IDI de Freud, isso assemelha-se bastante.


José não dorme, não cansa, não morre, ele é duro, apenas segue. Sua dureza é o que existe e tudo mais é o “nada” no qual ele se funde. Chama-se atenção para o caráter construtivo que o Existencialismo dá à categoria “nada”, ele é o inexistente, mais traz em si o por fazer.


Este poema foi escrito durante a Segunda Guerra Mundial e da ditadura de Vargas, José, apesar da dureza, ainda tem o impulso de continuar seguindo. Mesmo sem saber para onde: “...Você marcha, José! / José, para onde?”

Nos anos 70 um ilustrissímo cantor, hoje infelizmente pouco lembrado, porém não tão menos conhecido, Paulo Diniz, Chegou a músicar esse poema, trazendo para a música toda a emoção de josé ao auto procurar-se.

Enfim



Atualmente Paulo Diniz continua realizando apresentações, com a mesma voz vibrante de antes, porém numa cadeira de rodas, já que contraiu uma misteriosa doença em 2005 que paralisou seus membros inferiores.



E aqui Drummond, na voz de Drummond:




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2 comentários:

Valéria Lima disse...

Ahh mto bem Dr. Chagas! conheço esse video ai Drummond na voz de Drummond... mto bem.. Ótimo!! ;*

Rebeca Guerreiro disse...

Li esse poema pela primeira vez aos treze anos e ainda é um tanto indescritível pra mim. Não acho que o vídeo devesse ter imagens de velhinhos, porque foi só depressivo, mas o poema mesmo ainda me dá uma sensação boa de desespero, se é que desespero pode ser bom. E essa introdução ficou muito legal! Esclareceu bastante. :D

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