Dobradinha à moda do Porto.


Álvaro de Campos, assim chamava-se o mais famoso heteronimo de Fernando Pessoa, ele preparou uma biografia para cada um deles, sobre este dizia:


"Nasceu em Tavira, teve uma educação vulgar de Liceu; depois foi para Glasgow, Escócia, estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Agora está aqui em Lisboa em inactividade."

"Trago aqui o frio do amor,
o amor frio, o breu da paixão
a invenção de alguém
que escreve o amor,
que morre de dor,
que tem alegria
e afirma com clareza!
Sua poesia não deve ser consumida
Fria." (ChagasNeto)*


Na voz de Chico Buarque:


Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo ...
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).
Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.


*ps: Como diria Calabar: Sabes, no fundo eu sou um sentimental... rsrs

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1 comentários:

Valéria Lima disse...

Muito bom, na voz do Chico ficou melhor ainda! Ah!! não posso deixar de comentar a parte la de cima que vc fez... mto bom!! =D

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