Juízo Final - Geraldinho Carneiro


Geraldinho Carneiro


Eu sou do tempo que o nome Geraldo Carneiro era sinonimo de musica, letras elaboradas na sua condição de compositor, de certa forma isto é passado, e hoje com 59 anos, o compositor é reverenciado como poeta, e isto é bom, é como ele mesmo diz, "...o sujeito já nasce poeta..." e o Geraldo é desses que se orgulha de ser poeta, algo raro em terras tupiniquim, principalmente se levado em conta o atual estagio da poesia, dos poetas brasileiros, lamentável.
Até procuro alguém dessa nova geração dois mil para dizer que é orgulho de cultura, ao mesmo instante desisto, simplesmente não há!
Quem meus netos ainda irão conhecer vivo? É uma pena!
O compositor, ou poeta como preferirem, tem em currículo grandes parcerias, tais como: Francis Himi, Vinicios de Moraes, Astor Piazzola, Wagner Tiso, Dentre tantos outros...
Vou destacar aqui nessa postagem uma poesia belíssima...


Juízo Final:

Amou três ou quatro sereias, sempre

Marinheiro de primeiro naufrágio;

Jurou em falso, disse meias verdades;

Perambulou em busca do sublime

Sem nunca descobrir o Santo Graal;

Andou atrás de um deus que fosse cômodo;

Como esse deus não se desencantasse,

Cantou a lua e outras deusas inconstantes;

Refratário às ciências, desconfia

Que o Sol gira ao redor da Terra, e o homem

É um animal fadado à extravagância;

Às vezes sofre acessos de grandeza,

Supõe-se demiurgo e pandemônio,

Mas o mundo sempre se rebela

Contra suas mal fundadas esperanças

E o reduz à sua insigne, insignificância.




E agora na voz do saudosa e jamais esquecido: Grande ENORME Othelo:


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