Mais uma do poeta gauche

Ausência



Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade



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1 comentários:

Lívia Katheryne disse...

Rebeca, adorei o poema,
é como se conhecer a ausência tornasse parte dele e a partir desse conhecimento obtido niguém mais o tome dele!
e o texto dialogou muiito bem com a imagem!

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