Fumo de tabaco rói o ar.
O quarto — um capítulo do inferno de “Krutichôniqui”. Recorda — atrás desta janela pela primeira vez apertei tuas mãos, atônito.
Hoje te sentas, no coração — aço.
Um dia maise me expulsarás,
talvez com zanga.No teu hall escuro longamente o braço,trêmulo, se recusa a entrar na manga. Sairei correndo,lançarei meu corpo à rua.Transtornado,tornado
louco pelo desespero.
Não o consistas,meu amor, meu bem, digamos até logo agora.
De qualquer forma o meu amor
— duro fardo por certo —
pesará sobre ti
onde quer que te encontres.
Deixa que o fel da mágoa ressentida num último grito estronde.
Quando um boi está morto de trabalhoele se vai e se deita na água fria. Afora o teu amor para mim não há mar, e a dor de teu
amor nem a lágrima alivia.
Quando o elefante cansado quer repouso ele jaz como um rei na areia ardente. Afora o teu amor para mim não há sol, e eu não sei ondes estás e com quem. Se ela assim torturasse um poeta, ele trocaria a sua amada por dinheiro e glória,mas a mim nenhum som me importa afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno, e não poderei apertar na têmpora o gatilho. Afora o teu olhar nenhuma lâmina me atrai mais com seu brilho. Amanhã esquecerás que eu te pus num pedestal, que incendiei de amor uma alma livre, e os dias vãos — rodopiante carnaval — dispersarão as folhas de meus livros...
Acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar, respiração opressa?
Deixa-me ao menos
arrelvar numa última carícia
teu passo que se apressa.







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