O Bicho

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.


Manuel Bandeira

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3 comentários:

Valéria Lima disse...

Nossa esse é mto bom...

Rebeca Guerreiro disse...

Acho que vai além da crítica social, tenta sensibilizar mesmo, os poemas tem disso... eles mexem com os nossos sentimentos, talvez por conta da beleza de brincar com as palavras, do ritmo... não é só panfletário. Acho que é disso que se precisa, falar a verdade por meio do sentimento, de que outra forma alguém vai querer mudar algo senão com um pouco de dor? alguém já falou isso, que a gente só consegue mudar algo quando experimenta a dor daquilo, não lembro quem foi, mas acredito nisso.
Deve ser terrivelmente difícil fazer um poema que junta o que lembra beleza e a crítica social.

Rômulo Ventura disse...

Eu fiz questão de esse ter sido o meu primeiro poema no blog por eu ter me sentido diferente quando o li pela primeira vez, uma sensação que nunca tinha sentido ao ler alguma outra poesia. Talvez pelo fato de eu ter tido uma surpresa quando vi que se estava falando de uma pessoa e aquilo fazer parte de nossa sociedade. Qualquer um pode imaginar essa cena, talvez por isso que toque tanto quem a ler.
Mas sem dúvidas, essa poesia me proporciona algo diferente, muito diferente de todos os outros poemas. Fiquei feliz em ver que outras pessoas acham que tem algo diferente nele e até ter rendindo um comentário no e-mail da professora Fáyga.

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